domingo, 8 de junho de 2008

GARIBALDI FALA AO ESTADÃO - 3

continuação...
Há uma centena de projetos de interesse da sociedade. Por que é tão difícil colocá-los em votação? Virou rotina. A rotina do Parlamento deveria ser votar. Mas virou rotina não votar porque o governo tranca a pauta e a oposição obstrui. E o presidente do Legislativo fica numa sinuca de bico.

Como mudar? Tem saída?
Tem saída, sim. A oposição precisa reaprender a votar contra. Ela obstrui demais. E o governo precisa reaprender a enviar projetos de lei, caso contrário isso vai sumir do dicionário democrático.

O que o sr. pensa de um terceiro mandato para o presidente Lula?
Sou contra. O presidencialismo no Brasil já é imperial. Um terceiro mandato faria do presidente um semi-imperador. Acho que o próprio presidente também é contra. Tenho essa impressão, e é o que ele tem declarado.

Nesses seis meses qual foi o pedido mais esquisito que recebeu?
Primeiro preciso ver as figuras esquisitas que tem lá para lembrar dos pedidos. Acontecem coisas esquisitas, mas que são absolutamente imprevisíveis, que não são anunciadas.

Que coisas?
Eu ia dizer uma coisa, mas não posso.

Diga.
Olha, vou dizer uma coisa que todo mundo sabe, e até o presidente da República comentou comigo: é o número de vezes que o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) falou por ocasião de uma sessão de discussão no plenário. Nem sei mais o número, só sei que foi uma coisa impressionante. Ele sempre falou muito, mas na discussão da TV Pública (março passado), ele falou horrores.

Algum senador, ao discursar, tira o sono do sr., além do senador Arthur Virgílio?
Tenho medo de falar e gerar algum inimigo (risos). Os funcionários do Senado são revoltados com alguns oradores. Eles são, às vezes, responsáveis pela prorrogação da sessão até as 22 horas. E tome paciência! Funcionários perdem tudo, novela, Jornal Nacional, futebol da quarta-feira, perdem tudo para ouvir aqueles discursos malucos. Mas não é democrático cercear a palavra.

Nos últimos seis meses, algum projeto aprovado deixou o sr. constrangido? Houve algum dia marcante?
O dia ruim foi aquela noite (da discussão da TV Pública, em março passado). O confronto com a oposição foi a noite de São Bartolomeu do Senado. Foi terrível e cheguei a pensar que não ia conseguir mais controlar a situação. Foi o meu pior momento.
O sr. assumiu com a imagem do Senado arranhada, após a crise no caso Mônica-Renan Calheiros (PMDB-AL). Melhorou alguma coisa de lá para cá?
Deveria ter melhorado mais. Há processos em aperfeiçoamento, como a idéia da votação aberta, para evitar deturpações. Mas até agora isso não foi votado.Isso deveria ser prioridade.
Outro assunto é a investigação da Polícia Federal no Congresso, como a da Operação Santa Tereza, e que envolveu o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). O sr. autorizaria a PF a investigar um senador no plenário da Casa?
Uns dizem que pode, outros dizem que não pode. Acho que não deveria existir dúvida alguma. Eu tenho que cumprir a determinação do Poder Judiciário. Até porque é um Poder como o nosso e podemos ter um diálogo compatível. Se houver alguma exorbitância, nós podemos recorrer até ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A morte do senador Jefferson Péres (PDT) levou muitos senadores a fazer check-up. O sr. foi um deles. Está tudo bem com a sua saúde?
Fui um deles. Mas está tudo bem com a minha saúde.

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