O sr. está completando seis meses na presidência do Senado. Que avaliação faz da sua gestão?
Estou satisfeito, apesar de meu discurso ser contraditoriamente pessimista.
Por que o sr. classifica seu discurso de pessimista? Há muito o que fazer, e se eu adotar um tom muito otimista as pessoas podem pensar que eu desisti, que já está tudo tranqüilo.
Há um acordo entre PT e PMDB para que o PT fique com a presidência do Senado e o PMDB, com a da Câmara. O PMDB, por ter a maior bancada de senadores, não deveria pleitear o comando da Casa?
Há mesmo um acordo na Câmara e isso pode trazer conseqüências para o pleito do Senado. Na Câmara já há inclusive candidato, o deputado Michel Temer (SP). Mas eu não me surpreenderei se no Senado ocorrer uma inconformação.
Mas isso poderia atrapalhar os planos de Temer na Câmara?
Pois é. Isso é o que eu escuto. Eu torço demais para o Michel (Temer) na Câmara, mas eu só posso torcer. Agora, você sabe que há praxes cumpridas e outras não cumpridas. Há uma que diz que o correto é ter um revezamento: se você pleiteia a Câmara para um partido, o outro partido ficaria com o Senado. O problema é que o outro partido (o PT) não é majoritário no Senado.
O sr. apoiaria um candidato do PT, como o senador Tião Viana (AC), à presidência do Senado?
Se fosse assim definido, apoiaria. Sou favorável ao entendimento, pois se trata da base do governo e hoje eu louvo o entendimento que tenho com o Chinaglia (presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia). É importante. Se começar um processo eleitoral de confronto entre Câmara e Senado, isso pode acarretar prejuízos sérios para as futuras gestões.
Que senador teria seu apoio?
Não posso lançar um nome, pois eu nem sei se os acordos vão prevalecer. Se falar alguma coisa, posso concorrer para quebrá-los. Mas ali nenhum presidente vai fazer milagre. Só espero que seja uma pessoa que procure o caminho da independência. Acho que o mérito da minha administração é perseguir esse caminho.
Como foi construído o entendimento entre o sr. e o deputado Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara?
Foi construído com o combate às Medidas Provisórias (MPs). Tínhamos de ter uma motivação. Ao assumir o Senado fiz ressurgir esse combate e ele (Chinaglia) também já era contrário às MPs. Eu me tornei um aliado dele.
O sr. mencionou a boa relação com Chinaglia. E a relação com o presidente Lula?
Às vezes penso que estou bem afinado e às vezes penso que não. Boatos não faltam, pessoas que chegam e me dizem: "Olha, você está muito bem lá com o presidente." Mas aí outras falam: "Você não está muito bem lá, não." Como tenho estado muito pouco com ele não tenho nem condições de conferir, mas espero que esteja tudo bem. Ele me trata muito bem, essa é verdade.
À época da CPI dos Bingos (2005), a famosa "CPI do fim do mundo", o sr. marchou com a oposição. Nos últimos tempos, parece afinado com o Planalto. Afinal, como é que o sr. se define politicamente?
Eu me defino como um conciliador que não faz concessões. Não venham, por exemplo, me propor conciliação com Medidas Provisórias. Não tem jogo.
Que avaliação o sr. faz das CPIs em andamento no Congresso? Por que elas têm tido tão pouco resultado prático?
Isso é excessivo. O governo tem o pecado das MPs e a oposição tem o pecado das CPIs. Tudo o que a oposição quer fazer na vida é uma CPI. É o sonho dourado. E tudo o que o governo quer é que não mexam com as Medidas Provisórias, que são um paraíso. O presidente Lula chegou a me dizer que os ministros nem mais falam em projetos de lei, uma espécie de instrumento legal em extinção.

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