sábado, 4 de abril de 2009

CARLOS EDUARDO ENVIA CARTA SOBRE O PARQUE DA CIDADE

O ex-prefeito Carlos Eduardo mandou distribuir com os natalenses milhares de cartas contando o que, segundo ele, está acontecendo com o Parque da Cidade, fechado na maioria de suas atividades pela atual administração, a exemplo do que fizeram com a maternidade da Zona Norte que transformaram em Hospital da mulher, só para mudar o nome e tirar a homenagem que o ex-prefeito tinha feito ao professor Leide Moraes.
Abaixo a integra da carta da o ex-prefeito:



CARTA AOS NATALENSES

Visitei recentemente, com muita tristeza, o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte. Ali constatei o profundo estado de abandono em que se encontra. O Memorial Natal, que conta a história de mais de 400 anos da nossa cidade e que chegou a receber em apenas 60 dias mais de 25 mil visitantes, entre natalenses e turistas nacionais e estrangeiros, todos encantados com a nossa história, com o modernismo dos métodos de apresentação do acervo cultural e também com a visão panorâmica da cidade, está interditado há mais de dois meses.

A escola de educação ambiental, que em seis meses recebeu dezenas e dezenas de escolas públicas e privadas, centenas de universitários das faculdades daqui e do Brasil, que além dos cursos ministrados sobre questões ambientais também oferecia as comodidades de um auditório e de uma biblioteca, está inexplicavelmente desativada.

Esta majestosa obra concebida pela genialidade do nosso maior arquiteto, Oscar Niemeyer, foi colocada por ele mesmo entre as 30 principais concepções arquitetônicas que fizeram parte da exposição Niemeyer, que comemorou o centenário do grande mestre e que foi exibida pelo país em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Esta obra, que recebeu com orgulho arquitetos e urbanistas do Brasil e de várias partes do mundo, como franceses, italianos, portugueses e escandinavos, que foi reverenciada por grandes literatos como Zuenir Ventura, Luís Fernando Veríssimo, Carlos Heitor Cony e Cristóvão Tezza, dentre outros, está vedada à visita dos natalenses, revoltando os funcionários e os agentes de turismo.

Também as atividades culturais, como exposições de artes plásticas, aulas de pintura e desenho, teatro popular, dança e música, todas realizadas com artistas da terra e que atraíam centenas e centenas de famílias todos os domingos, foram totalmente paralisadas. Enfim, tudo isso foi interrompido, o que é inaceitável Sinto que se avizinha perigosamente a depredação, a destruição dessa obra. E por quê?

O parque é vítima de inoperância proposital e descabida, de picuinha e mesquinharia politiqueira dos que agora dirigem a Prefeitura de Natal, pois foi concebido, construído, pago com recursos próprios e entregue à população por nossa administração. O parque teve investimento de R$ 21 milhões, mais R$ 1 milhão para os trabalhos técnicos do escritório Oscar Niemeyer, mais cerca de R$ 4 milhões para a desapropriação da área e mais R$ 750 mil para a montagem do Memorial Natal. Exatos R$ 26 milhões e 750 mil. Vale repetir, integralmente pagos por nossa administração, isto é, com o dinheiro do contribuinte. Tal ação não me prejudica, mas prejudica sensivelmente a cidade.

A insensatez dessa gente não permite entender que o parque foi uma grande conquista para Natal ao conservar no coração da cidade 130 hectares de fauna, flora e um dos nossos principais aqüíferos, o que se traduz em mais qualidade de vida. É também um importante equipamento de inclusão social, além de preservar a área da cobiça e da especulação imobiliária e dotar a cidade de um espaço único de lazer, educação ambiental, de cultura e de história.

Mas o que falta para ser devolvido ao natalense e aos turistas? Absolutamente nada, pois estavam prontos e funcionando a biblioteca, o centro de educação ambiental, o auditório, o memorial e as áreas de passeio. O que a atual administração reclama, sem razão, são alguns acabamentos. Que se faça. Uma obra fabulosa de Oscar Niemeyer não merece isso. Um local reservado à memória de Dom Nivaldo Monte não merece isso. Um espaço devotado à natureza não merece isso. O parque da cidade, abandonado, clama por vida.

CARLOS EDUARDO

Nenhum comentário: